Considero a avaliação da composição corporal o ponto chave para definir a minha conduta no atendimento nutricional.  Sempre fiz questão de fazer a coleta de dobras cutâneas de todos os clientes, e até o final deste artigo você vai entender o porquê. Quando começamos a carreira, nos primeiros atendimentos, uma das maiores dúvidas é como usar o adipômetro.

Saber o percentual de gordura e o nível de massa magra do seu paciente vai te ajudar a entender como o seu paciente está naquele momento. Porém, é preciso saber fazer a avaliação da composição corporal. Por isso, neste artigo você vai descobrir como usar o adipômetro corretamente e garantir uma excelente avaliação.

A seguir te darei 8 dicas infalíveis de como usar o adipômetro.

O segredo por trás de uma avaliação da composição corporal bem feita

Você já sabe que o cálculo do percentual de gordura é muito mais preciso para conduta nutricional do que o IMC. Porém, se a avaliação não for bem feita, você pode interpretar a composição corporal do seu paciente de maneira errada, e isso pode prejudicar sua conduta no consultório.

Principalmente quando acompanhamos o paciente por mais tempo. Utilizar o adipômetro de forma precisa, vai te ajudar a saber como realmente ele evoluiu. Isso vai te ajudar muito a fazer os ajustes necessários no plano alimentar do seu cliente ao longo do tratamento.

Dentre os diferentes métodos de avaliação da composição corporal, considero o método de dobras cutâneas é o mais preciso para usar na prática clínica.

A bioimpedância, por exemplo, sofre muita oscilação dependendo da quantidade de água que a pessoa toma. Por isso, não considero um bom método para avaliar evolução do paciente.

A seguir vou te dar 8 dicas infalíveis de como usar o adipômetro.

8 dicas infalíveis de como usar o adipômetro

1. Escolha o equipamento que tem mais facilidade para manusear

Existem diferentes modelos de adipômetro, o clínico e o científico. Na minha experiência já utilizei os dois, e o que me adaptei melhor, que é o que uso até hoje, é o científico. Apesar da leitura ser um pouquinho mais trabalhosa, ele é muito mais específico e preciso.

Além disso, considero que o adipômetro científico é mais fácil de manusear. Mas o mais importante é você escolher aquele que tenha mais familiaridade.

Os modelos podem variar de acordo com as marcas. Considero boas marcas: Lange, Sanny e Cescorf.

2. Defina qual será o protocolo de avaliação que irá utilizar

A escolha do protocolo para calcular o percentual de gordura é tão importante quanto a coleta da dobra em si.

Existe uma infinidade de fórmulas de calculam percentual de gordura. Porém, cada fórmula foi feita para um público específico. Por isso, dependendo do seu público-alvo, você deve usar um protocolo ou outro para fazer uma avaliação mais precisa.

A seguir vou listar os principais protocolos, a para qual público eles são direcionado.

  • Homens adultos: Jackson & Pollock, 1978 (3 ou 7 dobras), Faulkner, 1968.
  • Mulheres adultas: Jackson, Pollock e Ward, 1980, (3 ou 7 dobras).
  • Homens adultos fisicamente ativos: Jackson & Pollock, 1978 (7 dobras).
  • Mulheres adultas fisicamente ativas: Jackson, Pollock e Ward, 1980, (7 dobras).
  • Crianças e adolescentes homens: Slaughter, 1988, Westrate e Deurenberg, 1989
  • Crianças e adolescentes mulheres: Slaughter, 1988.

3. Técnicas para fazer uma boa pega

Para fazer a pega correta tenha alguns cuidados:

  • Antes de usar o adipômetro ,certifique-se que os ponteiros estejam em cima do zero.
  • Procure identificar o local a ser aferido, antes de pinçar.
  • Faça a pinça para pegar as dobras somente com o dedo indicador e o polegar. Muitas pessoas erram, quando pegam a dobra com quase todos os dedos da mão.
  • Segure o adipômetro com a mão direita, e pegue a dobra com a mão esquerda.
  • A medida deve ser feita com adipômetro em alguns segundos.
  • Tenha o cuidados de soltar as hastes do adipômetro na hora da medida. Algumas nutricionistas erram ao segurar, porque não soltam as hastes por completo na hora da medida.
  • As hastes do adipômetro devem estar perpendiculares a dobra coletada.
  • Cuidado para não pegar massa muscular junto com a gordura. Com um tempo de prática e experiência, você vai notar quando a gordura ‘solta’, e vai perceber que o que está pegando realmente é gordura. Se você pegar a dobra com músculo junto, provavelmente a pessoa vai reclamar de dor, porque a ‘beliscada’ na musculatura dói mais.
  • Tenha o cuidado de manter as unhas curtas. Se as unhas estiverem muito compridas, além de você arranhar seu cliente, você não vai conseguir pegar a dobra com tanta precisão.

4. Quais dobras pegar

Um dos protocolos mais completos é o de Jackson & Pollock que utiliza 7 dobras. Mas na minha prática clínica costumo coletar 9 dobras. Mesmo que não use todas para fazer o cálculo do percentual de gordura, gosto de fazer uma coleta de dobras mais completa para analisar o progresso de maneira mais global.

A medida da dobra vai me ajudar a entender como aquela pessoa está respondendo ao tratamento. Por isso, quanto mais dobras, melhor vou conhecer como meu paciente está evoluindo. Quanto mais completa sua avaliação será possível saber em qual região do corpo ele está perdendo mais ou menos gordura, e se realmente está perdendo gordura.

A seguir vou descrever as principais dobras que utilizo no consultório, e como pegar cada uma delas. Lembre-se de sempre que é padrão coletar as dobras do lado direito.

Dobras cutâneas

  • Subescapular: Pegar a dobra na diagonal, seguindo a orientação dos arcos costais, dois centímetros abaixo da escápula.
  • Triciptal: Coletar na parte posterior do braço direito, no ponto médio entre o acrômio e olécrano.
  • Suprailíaca: Medida coletada na diagonal, 1 cm acima do ponto mais alto da crista-ilíaca, na direção da linha da axila.
  • Axilar média: Essa medida localiza-se no ponto cruzado entre a linha vertical abaixo da axila, e a linha imaginária na altura do  apêndice xifóide do esterno. A medida também é coletada na diagonal, com braço levemente deslocado para trás.
  • Peitoral: É uma medida diagonal. Para os homens, deve-se pegar na na metade da distância entre a linha axilar anterior e o mamilo. Para mulheres, deve-se coletar no terço da linha axilar anterior.
  • Biciptal: Coletar na parte anterior do braço direito, na maior circunferência aparente.
  • Abdominal: Coletar 2 cm a direita do umbigo. A dobra deve ser vertical.
  • Coxa: Localiza-se no terço superior da coxa, da distância entre o ligamento inguinal e a borda superior da patela.  É uma dobra, que pode ser um pouco mais difícil de soltar. Por isso, para facilitar, você pode pedir para a pessoa colocar a perna direita um pouco a frente, e deixar o joelho semi-flexionado para musculatura ficar relaxada, mantendo o peso do corpo na perna esquerda.
  • Panturrilha medial: É recomendado deixar o avaliado sentado, com joelho flexionado em 90º, ou então você pode pedir para seu paciente apoiar a perna em cima de um banco, mantendo o joelho nessa posição. Deve-se pegar a dobra na altura da maior circunferência da panturrilha, na parte interna da panturrilha e paralelamente ao eixo longitudinal.

5. Como deve ser o preparo para avaliação

Para realizar a avaliação da composição corporal, seu paciente deve ter alguns cuidados:

  • É ideal que a pessoa não faça exercícios extenuantes pelo menos 12h antes da avaliação. Quando a pessoa pratica exercícios vigorosos, ela pode ficar um pouco inchada nas horas seguintes, prejudicando a precisão da avaliação.
  • Ideal não passar hidratantes, óleos ou qualquer tipo de loção na pele antes da avaliação. Isso porque, a pele pode ficar escorregadia, e atrapalhar a pega das dobras cutâneas.
  • Evitar consumir bebidas alcoólicas no dia anterior da avaliação, pois no dia seguinte a pessoa pode ficar mais inchada, prejudicando o resultado da avaliação.
  • É importante manter alimentação como normalmente faz um dia antes da avaliação. Por exemplo, se a pessoa passa em consulta depois de um final de semana que foi no rodízio de comida japonesa sábado e teve churrasco no domingo, provavelmente vai fazer a avaliação mais inchado. Por consequência, o resultado da avaliação não será tão preciso.
  • Se mulher, evitar fazer avaliação no período pré-menstrual. Algumas mulheres ficam mais inchadas nesses dias, por isso o ideal é evitar avaliar neste período para ter um resultado mais fidedigno.

6. Qual o melhor traje

O ideal é que seu cliente faça avaliação somente bermuda esportiva ou sunga, se for homem, e se for mulher, pode fazer de biquíni ou de short e top.

Em mulheres, muitas delas acabam fazendo de lingerie, porque não se importam, porque eu também sou mulher. No caso de homens, não costumo realizar a avaliação de cueca, porque não me sinto à vontade. Por isso, deixo uma bermuda masculina de reserva no consultório. Caso o paciente esqueça de levar, eu empresto a minha.

Oriente seu paciente no agendamento para ir para consulta preparado para fazer avaliação.

No meu consultório, eu disponibilizo um provador para pessoa se trocar. Se não tiver esse espaço no seu consultório, você pode deixar a pessoa sozinha na sala quando ela estiver se trocando, e entrar em seguida, e depois dar licença para ela se vestir novamente.

7. Precisa repetir a avaliação

Você já deve ter aprendido, que para ter uma avaliação mais precisa, você deve pegar as medidas 3 vezes, e fazer uma média. Porém, essa prática foge um pouco da realidade na prática clínica.

Levaria muito tempo para fazer a avaliação 3 vezes na consulta, e você teria que cobrar mais caro, por uma consulta mais longa. Por isso, sugiro pegar apenas uma vez, para fazer um atendimento mais conciso.

Na minha prática clínica, sempre peguei uma vez só, e considero que é suficiente para avaliar o progresso do tratamento, pois conseguimos ver bons resultados.

Normalmente, a coleta das medidas é feita 3 vezes em pesquisas científicas, em que é necessária uma precisão maior.

8. Como adquirir experiência

Se você está começando a atender, com certeza ainda não tem experiência para pegar as dobras cutâneas. Fique tranquila, pois a experiência vem depois de algum tempo de atendimento.

Não tenha medo de errar, porque com certeza isso vai acontecer! A medida de dobras cutâneas é muito sensível, e quando você ainda não está treinado, uma dobra ou outra pode não sair tão precisa.

O que eu fiz quando comecei a atender, e que me ajudou muito, foi convidar alguns voluntários para fazer uma avaliação da composição corporal gratuita. Eu convidei uma equipe feminina de handebol para fazer avaliação, e com isso consegui umas 20 voluntárias para treinar.

Por isso, corra atrás de voluntários para você avaliar. Você pode ir atrás de clubes esportivos menores, que normalmente não fazem essa avaliação em suas equipes. Você também pode tentar fazer parceria com alguma academia. Ou também pode convocar pessoas que você conhece, sejam da sua família ou amigos.

Experiência vem com a prática, por isso quanto mais voluntários melhor! Procure avaliar perfis diferentes de corpo, homens, mulheres, pessoas com obesidade, com baixo peso, com peso normal.

Você também pode buscar por cursos práticos na sua região para te auxiliar. Ou até mesmo, se conhecer algum profissional mais experiente que possa te ajudar com esse treinamento, não tenha vergonha de pedir ajuda!

O número de bom de avaliações para você treinar são pelo menos 50 avaliações.

Concluindo

Fazer uma avaliação da composição corporal bem feita, é um dos pontos importantes para fazer um atendimento excelente. Por isso, dedique um tempo para estudar a melhor forma de avaliação para o seu público-alvo.

Para fazer uma consulta ótima, leia também este artigo sobre os desafios na primeira consulta do seu paciente.

E se quiser começar a captar mais clientes, veja também como escrever um post sobre nutrição e 5 dicas de marketing para você adotar no seu consultório de nutrição.

Tenho certeza que estas 8 dicas de como usar o adipômetro, podem te ajudar a coletar as dobras cutâneas de maneira mais precisa.


Tainá Carvalho – Nutricionista Esportiva

NOTA SOBRE O AUTOR:
A Nutricionista Tainá Carvalho CRN 34.980 é Nutricionista Esportiva com formação pela USP – Universidade de São Paulo, possui especialização em Nutrição Aplicada ao Exercício Físico pela EEFE-USP, Possui Especialização em Fitoterapia, especialização em Transtornos Alimentares pelo AMBULIM – IPq/HCFMUSPfoi Nutricionista da Equipe de Vôlei Feminino do SESI-SP.